17.01.2019 / Arte / por

Galeria Houssein Jarouche abre novo espaço com mostra de jovem artista ucraniana

Pazza Pennello © Reprodução
Pazza Pennello © Reprodução

Por Guilherme Meneghetti

Ano novo, casa nova. A Galeria Houssein Jarouche está com nova sede no Jardim América, em São Paulo, com projeto assinado por Márcio Kogan, do MK27. E para abrir o ano, a galeria, que tem foco curatorial voltado para a pop art (dos 60’s aos dias de hoje), recebe, a partir de 22.01 (próxima terça-feira), A Revolução Bipolar, apresentando obras da artista ucraniana Pazza Pennello.

Uma rápida olhada no Instagram de Pazza percebe-se a pop art como grande influência de sua identidade criativa. Aos 31 anos, a ucraniana, nascida em Odessa e hoje baseada na capital Kiev, vivenciou o fim da Guerra Fria e também a queda da cortina de ferro, que separava o ocidente do comunismo soviético. Daí vem alguns temas levantados em sua obra. “As marcas fazem parte da memória da artista”, diz Paulo Azeco, curador da mostra. “Essas telas refletem esse encantamento inicial vivido e, principalmente, o choque cultural refletido nos trabalhos pela apresentação dos novos produtos justapostos àqueles já existentes no país”, explica ele sobre algumas das 16 obras expostas pela primeira vez no Brasil.

Conflict, de Pazza Pennello © Cortesia
Conflict, de Pazza Pennello © Cortesia

Temas como feminismo, sexualidade e censura, que foram tomados de assalto pelo pesado controle soviético, também permeiam seu trabalho. Em 1986, em um programa de TV ao vivo, uma das participantes disse que “não havia erotismo na URSS”, querendo dizer que o tema não era abordado na televisão do país. Algo que faz todo sentido às obras da série Super Beam. Na Super TV Show (abaixo), por exemplo, a luz da TV, que mostra a forma de um nu feminino, invade e se mistura a feixes de luz que iluminam parte da sala de estar típica dos anos 1980 – aspectos que ecoam nas outras obras da série.

Super TV Show, da série Super Beam, de Pazza Pennello © Cortesia
Super TV Show, da série Super Beam, de Pazza Pennello © Cortesia

“Isso exemplifica como o assunto era visto no período, como algo imoral e indecente”, conta Azeco. “O trabalho de Pazza joga luz sobre essa questão, expondo um contexto sexualmente emancipado mas que, ao mesmo tempo, não identifica os personagens. São mulheres querendo liberdade na sua sexualidade, mas que são oprimidas pelo sistema”. Algo que reverbera no vídeo My Corner, que também está na mostra. Ao longo de quase três minutos, uma jovem conta sobre a vida de prostituição enquanto na tela aparece uma rua vazia, o que, naturalmente, incita reflexões sobre a condição da mulher, no mundo todo, nos dias de hoje.

Serviço
A Revolução Bipolar, de Pazza Pennello
Quando: de 22.01 (abertura das 19h às 22h) a 30.03.
Onde: Rua Estados Unidos, 2109 – Jardim América, SP. De terça à sexta-feira das 10h às 19h e, aos sábados, das 10h às 17h.
Mais informações: Galeria Houssein Jarouche


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