18.10.2018 / Arte / por

Raiz: saiba tudo sobre a grande exposição de Ai Weiwei que ocupa a Oca, no Parque Ibirapuera

Instalação "Law of the Journey (Prototype B)" de Ai Weiwei, no Parque Ibirapuera, em São Paulo / Reprodução AFP
Instalação "Law of the Journey (Prototype B)" de Ai Weiwei, no Parque Ibirapuera, em São Paulo / Reprodução AFP

Às vésperas do segundo turno das eleições, o Brasil recebe um dos ícones da luta pela democracia, o artista chinês Ai Weiwei, que abre uma grande retrospectiva de seu trabalho na Oca, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O FFW foi convidado para o preview da exposição com uma visita guiada pelo curador Marcello Dantas.

Esta é a uma das maiores mostras do artista chinês no mundo, reunindo 70 obras, desde trabalhos icônicos a inéditos e inspirados por suas viagens ao Brasil. Weiwei veio ao país cinco vezes nos últimos dois anos e usou essas visitas para conhecer nossa cultura. Em São Paulo, ele foi ao Teatro Oficina (outro marco da liberdade de expressão na cultura brasileira), à escolas de samba, manifestação no Masp e até a um jogo do Palmeiras.

No dia 12 de outubro, ele soltou no lago do parque sua obra A Lei da Jornada, que representa um barco de refugiados.

Entre as obras presentes na retrospectiva estão Forever Bicycles (2014), mega escultura formada por 1.254 bicicletas, numa alusão ao trabalho autômato na China e que está instalada do lado de fora do parque, à vista das pessoas que passam pela avenida Pedro Álvares Cabral. Dropping a Han Dynasty Urn (1995), em que ele quebra um vaso milenar, Study of Perspective – Tiananmen Square (1995-2003), as famosas fotos em que ele mostra o dedo do meio, e Straight (2008-2012), feita com 164 toneladas de aço recuperadas dos escombros de escolas de Sichuan após o forte terremoto que abalou a China em 2008.

Dropping a Han Dynast Urn / Reprodução
Dropping a Han Dynast Urn / Reprodução

Entre as obras que nasceram de suas viagens pelo Brasil, estão F.O.D.A., composta por centenas de réplicas de frutas-do-conde, ostras, dendês e abacaxis, e Raiz, conjunto de esculturas que reproduzem as raízes de um pequi-vinagreiro, árvore praticamente extinta, que pode viver por até 1.200 anos.

Para produzir a série dos 200 Ex-Votos, o artista contou com o trabalho de comunidades locais em Juazeiro do Norte (CE) para talhar as pequenas esculturas de madeira que subvertem sua questão religiosa original (veja abaixo).

Ex-votos, Ai Weiwei / Cortesia
Ex-votos, Ai Weiwei / Cortesia

Os números da retrospectiva impressionam. Ao todo, foram sete anos de gestão e produção da exposição, que custou R$ 10 milhões. A montagem teve 10o pessoas trabalhando por 21 dias, com obras de grandes dimensões chegando da China e da Europa.

Em busca de patrocínio, o curador se deparou com investidores privados queriam saber o conteúdo da exposição antes de entrar, porém o artista já o tinha avisado que ou teria liberdade total ou não faria. Dantas então encontrou uma forma de financiar a mostra e se voltou aos colecionadores: sete nomes financiaram as obras produzidas no Brasil, que somam US$ 1 milhão, e terão prioridade caso queiram adquirir os trabalhos. Houve também aporte financeiro de quatro galerias do artista — a italiana Continua, a britânica Lisson, a alemã Neugerriemschneider e a brasileira ArtEEdições. O restante de recursos vem do próprio artista, da venda de objetos com estampas de Weiwei (um guarda-chuva com a mão mostrando o dedo do meio sairá a R$ 300), do catálogo da mostra e da Fundação Marcos Amaro.


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Ai Weiwei Raiz

De 20 de outubro à 20 de janeiro de 2019

Local: Oca, Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral – Portão 3)

 

 


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