Trend Alert: Halloween fora de época? O terror está na moda

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Existe algo de extremamente sedutor no terror. Há algo que nos atrai em tudo aquilo que supostamente deveria nos causar repulsa ou estranhamento, e o medo que nos deixa na borda das cadeiras e com os olhos vidrados em filmes de terror é excitante. 

Seja nos filmes slasher dos anos 70, no boom do terror menos sanguinolento dos anos 90 ou na nova onda de filmes de suspense e terror psicológico, o gênero sempre esteve presente na cultura pop. Nos últimos anos, mais ainda: vimos o surgimento de remakes de clássicos do terror como It: A Coisa, Halloween, além de um novo Massacre da Serra Elétrica, produzido pela Netflix e com lançamento programado para fevereiro. Recentemente, a franquia Pânico também recebeu seu aguardado quinto filme, após mais de dez anos de espera, um fenômeno imediato, que bateu recordes de bilheteria e arrecadou mais de US$100 milhões de dólares mundialmente em menos de duas semanas. 

Alguns motivos podem explicar porque estamos tão atraídos pelo terror: seja pela necessidade de nos sentir vivos e ansiando por algo, já que o terror nos retorna aos nossos instintos mais primários de sobrevivência; ou mesmo como uma forma de processar as dores e tristezas do mundo pós-moderno através do entretenimento e do escapismo. Não é à toa que grande parte dos filmes de terror têm, aos poucos, parecido cada vez menos ficcionais. 

A questão é que, mesmo fora de época, parecemos estar vivendo num Halloween permanente e o terror está na moda. Não precisamos ir mais longe: a Prada, em seu Inverno 20 apresentou uma coleção inspirada em Frankenstein e na Família Addams, de forma bastante literal, as modelos saíram na passarela com os cabelos partidos em duas tranças, à lá Wandinha Addams e com peças estampadas com os personagens. 

Prada Fall Winter 2019
Prada Fall Winter 2019

Na mesma temporada, a Undercover – que acabara de sair de uma coleção de verão inspirada no filme O Iluminado – lançou estampas do filme Suspiria (2019). Já para o Inverno 23 masculino, desfilado neste ano, a marca se inspirou em um dos maiores clássicos do suspense, Psicose (1960). Também na temporada de masculino, a marca francesa Egonlab apresentou uma coleção bastante gótica, inspirada no universo religioso – ou mesmo em uma seita – com referências bastante diretas à religiosidade e inclusive, apresentada no Oratório do Louvre. 

Undercover Fall 22 Menswear
Undercover Fall 22 Menswear

Uma das interpretações mais literais sobre o terror que vimos na moda nos últimos anos, foi a coleção de Resort 2020 da Moschino, por Jeremy Scott, com o tradicional humor e brincadeira com a cultura pop do designer. 

Raf Simons também já se mostrou um admirador assíduo do gênero terror. Sua coleção de verão 2018 para a Calvin Klein, que buscava inspiração em diversas personagens de filmes de terror, inclusive no clássico Carrie (1976 e 2013), trazendo vestidos e casacos que faziam alusão às vestes manchadas de sangue de porco da protagonista no filme. Já em suas duas últimas coleções para sua marca homônima, os acessórios de mãos de esqueletos criados pelo designer belga viralizaram nas redes sociais. 

Calvin Klein FW 2018 por Raf Simons
Calvin Klein SS2018 por Raf Simons

No Brasil, a nova coleção da À La Garçonne sob direção criativa de Alexandre Herchcovitch, apresentada na última São Paulo Fashion Week, se inspirou nos anos 70 e nos filmes de terror, com destaque para as estampas do filme ‘O Exorcista’ e referências de Gremlins, A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13. 

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À LA Garçonne | Foto: Cortesia
À LA Garçonne | Foto: Cortesia

O mundo da moda anda de mãos dadas com o entretenimento e no caso dos videoclipes de música, o terror também tem aparecido como um tema frequente. O mais recente é o clipe de Boys Don’t Cry, de Anitta. Em uma das maiores produções audiovisuais da sua carreira, mirando no mercado internacional, a cantora traz diversas referências de filmes de terror, incluindo Beetlejuice (1988) e Madrugada dos Mortos (2004). Também no Brasil, Duda Beat já havia trazido a estética do terror e do cyberpunk em seu clipe de “Nem Um Pouquinho” com o rapper Trevo, além de Iza, em sua mais recente produção “Sem Filtro”. Além de Gloria Groove com o smash-hit “A Queda” lançado a tempo do Halloween do ano passado. 

Anitta no clipe de Boys Don't Cry | Reprodução
Anitta no clipe de Boys Don’t Cry | Reprodução

É quase impossível falar de moda e terror sem uma menção necessária a Alexander McQueen. Em uma era que precedeu o momento que vivemos atualmente, McQueen já havia apresentado uma coleção inspirada em Jack o Estripador, em 1995, o clássico Os Pássaros, de Hitchcock em sua coleção de verão 95 e o filme The Hunger (1983) no ano seguinte a este. 

À época – e até hoje – visto como um grande revolucionário e inovador, as coleções de McQueen chocavam e grande parte de seu valor como designer estava em sua leitura desconfortável da moda. Hoje, os aspectos do terror aparecem na moda deglutidos, quase eufêmicos e bastante palatáveis, como parte da cultura pop e com impacto visual mais dissolvido.

Apesar disso, o horror segue, ano após ano, sendo renovado com seus remakes e novos clássicos como um gênero sedutor tanto para a moda quanto seu público. Acompanhando o movimento, as marcas de moda também provam que não precisam de um Dia das Bruxas para se inspirar no universo do terror.

Alexander McQueen FW 96
Alexander McQueen FW 95

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