03.01.2019 / Notícias / por

FFW aponta seis criativos que valem à pena prestar atenção em 2019

Sarmurr / Foto: Josefina Bietti / Reprodução
Sarmurr / Foto: Josefina Bietti / Reprodução

2019 chegou e com ele nomes que estão despontando na moda, fotografia, arte e música. Os seis criativos escolhidos pelo FFW para abrir o ano vêm de países diversos e têm diferentes backgrounds – em comum, eles são multifacetados e têm um olhar atual, fresco e corajoso sobre o mundo hoje. Também foi através do digital, mais especificamente do Instagram, que eles começaram a formar sua identidade criativa e fazer conexões profissionais. Você já pode ter ouvido falar deles, afinal de contas, vêm construindo essa trajetória há algum tempo. Mas este é o ano em que certamente irão se destacar mais ainda, cada um em seu campo. Para dar follow já!

Sarmurr

Samuel D’Saboia é um jovem artista de Recife que tem chamado a atenção e deve se destacar ainda mais em 2019, ano em que apresenta sua primeira exposição individual (na galeria Emma Thomas, a partir de 31 de janeiro). Mas seu trabalho já conquistou galerias e feiras de arte na América Latina e em Nova York, Los Angeles e Berlim – e muito antes disso, ele usou a internet como sua primeira “galeria” e espaço sem fronteiras onde teve tempo e liberdade para alimentar sua alma artística, criar sua linguagem, desenvolver ideias e conhecer pessoas, que se tornaram amigas e colecionadoras.

Samuel faz parte de um movimento chamado Afropresentismo, que usa a estética contemporânea para redefinir a representação do negro na arte e refletir sobre a urgência do povo negro de viver, criar e se suceder no presente e não apenas esperar por um futuro melhor. Suas telas desconstroem estereótipos e causam impacto por todos os lados: cores, temas e uma mistura inusitada de materiais, de tinta à óleo a café e carvão a pigmentos mais especiais.

Sobre sua mostra na Emma Thomas, ele adianta: “ela vai abordar a nostalgia, o mundo dos sonhos, o não lugar, memórias, anjos e guardiões. Fala sobre luz e forças de proteções misturando o universo lúdico ao místico”.

Representado pela La Baraque, Samuel vai muito além da pintura e pode ativar outras áreas para se expressar, como poesia, vídeo, performance e ilustração. No momento atual, em que a cultura sofre um violento ataque no Brasil, Samuel é mais necessário do que nunca.

@sarmurr

Nadine Ijewere

Nadine Ijewere / Reprodução
Nadine Ijewere / Reprodução

Há apenas um mês ainda era 2018 e a fotógrafa britânica de 26 anos divulgou sua primeira capa da Vogue UK (edição janeiro 2019) com um retrato de Dua Lipa – também foi a primeira capa da publicação feita por uma mulher negra em mais de 100 anos da história da revista.

Nascida em Londres, ela foca seu trabalho em torno de questões de identidade e diversidade, refletindo suas próprias raízes nigerianas e jamaicanas. Suas fotos são lindas e curiosas, nunca óbvias. Ela foge do tradicional e sempre consegue trazer um novo olhar ao questionar padrões, como por exemplo, na foto feita para a megaloja de departamentos Selfridges, com dois bailarinos vestindo “tutu” com camisa e gravata.

Nadine começou a despontar em 2016 quando foi incluída na exposição The Tate Britain Generation, que teve grande repercussão. A partir daí, ela foi aumentando seu portfólio publicando em revistas como i-D, Garage e Vogue até conquistar suas primeiras campanhas publicitárias de peso, para Stella McCartney e Gap.

Seu talento e estética, lapidados por um olhar aberto para questões atuais, a coloca como uma das jovens fotógrafas mais interessantes do momento. Com certeza, seu nome vai rodar o mundo em 2019.

@nadineijewere

Loic Koutana

Loic Koutana / Cortesia
Loic Koutana / Cortesia

Se você está conectado com a cena underground da noite paulistana, certamente já viu Loic por aí – mesmo porque é difícil não perceber a figura bela e longilínea do artista, modelo e performer que foi capa da FFWMAG em 2017.

Também conhecido pela alcunha L’homme Statue (nome do seu perfil no Instagram e de seu principal projeto para este ano), Loic hoje é performer residente da festa Mamba Negra e do projeto musical Teto Preto. Como modelo, já desfilou para João Pimenta, Cacete e Ratier e neste mês faz sua primeira temporada masculina em Paris. É também em 2019 que ele lança seu primeiro projeto 100% individual e autoral. “Sempre modelei para marcas, dancei em videoclipes de outros artistas, faço parte do Teto Preto, mas nunca tive a oportunidade de assumir um projeto 100% meu. Este ano, o DJ do Teto Preto, Pedro Zopelar, vira meu produtor e vou lançar meu primeiro EP solo sob o nome L’homme Statue”, conta ao FFW.

Loic tem 24 anos e nasceu em Paris, filho de pais do Congo e da Costa do Marfim, onde chegou a estudar quando criança, antes da guerra política. Ele chegou ao Brasil há quatro anos para morar com seu namorado Raphael Lobato. Os dois se conheceram pelo Instagram em 2014 e ficaram meses conversando – Loic em Paris, Rapha em Manaus. Após muitas idas e vindas França – Brasil, Loic conseguiu um intercâmbio universitário entre a Sorbonne (onde estudava) e a USP em 2015 para fazer sua pós dupla em Economia e Línguas.

Loic não apenas é super talentoso nas diversas plataformas em que atua, mas também é uma das pessoas mais gentis da cena jovem hoje.

@lhommestatue

Lutz Huelle

Lutz Huelle / Reprodução
Lutz Huelle / Reprodução

Sabe aquele ditado “boas coisas vêm para aqueles que sabem esperar”? Esse é o caso do estilista alemão Lutz Huelle. O reconhecimento tardio levou quase 20 anos, mas chegou enfim. Huelle abriu sua marca própria em 2000 e no mesmo ano, recebeu o prestigiado prêmio ANDAM. Pouco tempo depois, entrou na seleção do Hyères Festival e era tido como uma das grandes revelações da moda, conquistando uma vaga para trabalhar ao lado de Martin Margiela.

Mas foi apenas agora que ele recebeu o turning point que pode mudar a direção de sua carreira: Lutz foi nomeado o novo diretor criativo da Delpozo e sua primeira coleção será a de Verão 2020. Ele sabe misturar o high-low e a subverter o tradicional, lições aprendidas com o mestre, pontos que poderão ser muito úteis na Delpozo.

A grife espanhola foi lançada em 1974 por Jesus del Pozo e voltou a chamar atenção em 2012 com o estilista Josep Font, que deixou o cargo em 2018. “Estou muito orgulhoso e feliz por fazer parte desse novo capítulo na história da Delpozo”, disse. A marca hoje tem 80 pontos de venda e três lojas flagships em Madri, Londres e Dubai. “Lutz tem uma experiência rica na indústria, uma ótima energia e será a chave para o sucesso da marca”, diz Pedro Trolez, dono da Delpozo. O estilista alemão terá enfim sua chance de brilhar. Estamos de olho.

Haight

Marcela Franklin, da Haight / Cortesia
Marcela Franklin, da Haight / Cortesia

A marca da designer carioca Marcella Franklin dispensa apresentações, mas ela é uma das grifes em que botamos muita fé e 2019 será certamente um ano em que ela vai se destacar mais ainda. Marcela inaugurou sua primeira loja no Rio de Janeiro no final do ano e ao longo de 2019 verá a resposta do público carioca, que certamente vai aderir (se ainda não aderiu) à sua proposta atual de beachwear que circula tão bem na praia quanto na cidade. A Haight representa a renovação da moda praia brasileira, que é cool, elegante e atemporal e com um trabalho consistente de produto x imagem. Vem aí uma possível estreia no SPFW?

Follow @haight_clothing

Fabien Montique

Fabien Montique / Reprodução
Fabien Montique / Reprodução

Nascido em Barbados, Fabien Montique é um diretor e fotógrafo que já trabalhou com Kanye West como consultor criativo e fotógrafo em vários projetos, o que abriu portas para fotografar outros artistas da cena pop, como Iggy Azaela, Big Sean, Tyga, John Legend e Woodkid.

No início, foram seus retratos com estética street que chamaram atenção, mas Montique começou com uma empresa de design digital e conteúdo. Por conta disso, seu trabalho hoje vai além da fotografia – ele assinou a passarela do desfile da Off-White, por exemplo.

Hoje, ele publica suas fotos em revistas como i-D e Dazed e é um dos fotógrafos para prestar atenção, algo que ele jamais imaginou que pudesse acontecer quando morava na pequena ilha de Barbados. Foi quando uma revista americana de moda caiu em suas mãos que ele se apaixonou pelos ensaios e acordou, passando a se dedicar a fotografia a partir de então.

“Meu trabalho é uma exploração de coisas que me amedrontam ou de coisas que tenho vontade de experimentar. Crescer em uma ilha pequena me deu vontade de aprender coisas novas sobre o mundo a cada dia”.

@fabiemontique


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