22.08.2018 / Cultura / por

Mulheres Radicais: exposição coletiva na Pinacoteca revela pioneirismo de artistas latinas

Yohn Lennon, de María Eugenia Chellet / Reprodução
Yohn Lennon, de María Eugenia Chellet / Reprodução

A Pinacoteca de São Paulo acaba de abrir em seu primeiro andar uma grande exposição coletiva Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985

Com curadoria da historiadora de arte e curadora venezuelana britânica Cecilia Fajardo-Hill e da pesquisadora ítalo-argentina Andrea Giunta, a mostra é a primeira na história a levar ao público um mapeamento das práticas artísticas experimentais realizadas por artistas latinas. A exposição já passou pelo Hammer Museum, de Los Angeles, e o Brooklyn Museum, em Nova York, e encerra seu ciclo em São Paulo com a colaboração curatorial de Valéria Piccoli, da Pinacoteca.

+ Aproveite para ver mais duas mostras na Pinacoteca

Mulheres radicais dá visibilidade à produção de mulheres residentes em países da América Latina, além de latinas e chicanas nascidas nos Estados Unidos. Entre elas, estão algumas das artistas mais influentes do século XX — como Lygia Pape, Cecilia Vicuña, Ana Mendieta e Beatriz Gonzalez. Ao todo, são 120 artistas, vindas de 15 países, reunindo mais de 280 trabalhos em fotografia, vídeo e pintura, realizados entre 1960 e 1985.

Durante esse período, as artistas pioneiras partiram da noção do corpo como um campo político e mergulharam em investigações radicais e poéticas para desafiar a atmosfera política e social de um período fortemente marcado pelo poder patriarcal (nos Estados Unidos) e pela ditadura. Seus trabalhos denunciavam a violência social, cultural e política da época. “As vidas e as obras dessas artistas estão imbricadas com as experiências da ditadura, do aprisionamento, do exílio, tortura, violência, censura e repressão, mas também com a emergência de uma nova sensibilidade”, diz Fajardo-Hill.

A América Latina conserva uma forte história de militância feminista que não foi amplamente refletida nas artes. Mulheres radicais propõe consolidar esse patrimônio estético criado por mulheres que partiram do próprio corpo para aludir — de maneira indireta, encoberta ou explícita –- as distintas dimensões da existência feminina.

Cinco obras aparecem com exclusividade da mostra de São Paulo:

Série Cotidiano, de Wilma Martins / Reprodução
Série Cotidiano, de Wilma Martins / Reprodução

1) Série Cotidiano, de Wilma Martins (1972-1982), artista mineira cujo talento foi usado muito além das artes plásticas. Wilma diagramou jornais e revistas, ilustrou livros infantis e fez figurinos para o Balé Klauss Vianna.

2) Yohn Lennon”, de María Eugenia Chellet (1968), mexicana que se representa aqui como John Lennon. O título de sua obra é uma mistura entre ‘yo’ (eu, em espanhol) e John. Chellet foca no autorretrato e seu trabalho explora como as mulheres, ao longo da história da arte e na cultura popular foram celebradas, fetichizadas ou estereotipadas.

3) “Arqueologia do Desejo – ventre”, de Nelly Gutmacher (1982), artista carioca que faz experimentações com cerâmica moldando partes do corpo, criando corpos imperfeitos com suas marcas e cicatrizes.

4) “Sem título”, de Maria do Carmo Secco (1967), que integra a coleção da Pinacoteca. “Com sua linguagem bastante pop, Secco expressa a questão do desejo da mulher, que se encaixa na seção da exposição dedicada ao erótico, no sentido da expressão clara do desejo feminino”, diz Valéria em entrevista ao site Nexo.

5) “Pele de bicho, alma de flor” (1974) e “Achei” (1976), registros de performances de Yolanda Freyre. Após perder um irmão, vítima da repressão da ditadura militar brasileira, passou a realizar passeatas e intervenções em espaços públicos. Depois, começou a realizar performances em sua própria casa.

E pela primeira vez em sua história, a Pinacoteca concebe um Exhibition Circle — prática comum nos EUA e na Europa para arrecadar fundos — especialmente para esta exposição. Para a ocasião, o museu convidou 30 mulheres pioneiras em suas áreas de atuação para colaborarem financeiramente na viabilização da mostra. Entre elas estão a galerista Luisa Strina e a fundadora da SP Arte Fernanda Feitosa.

A exposição Mulheres Radicais fica em cartaz até 19 de novembro.

De quarta a segunda-feira, das 10h00 às 17h30
Praça da Luz 2, São Paulo, SP
Ingressos: R$ 6,00 (entrada); R$ 3,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha)
Menores de 10 anos e maiores de 60 são isentos de pagamento.


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