15.09.2020 / Comportamento / por

Femboys: o Movimento Que Vai das Semanas de Moda ao TikTok

Foto: Reprodução TikTok
Foto: Reprodução TikTok

Por Mariáh Cidral

Se você é usuário do TikTok provavelmente já deve visto vídeos de rapazes da geração Z usando vestidos, saias e acessórios ditos femininos, acompanhados pela hashtag #FemBoys. O ato de travestir-se não é algo novo, porém a prática feita por jovens nas redes sociais viralizou e já ultrapassou a incrível marca de 117 milhões de visualizações apenas no TikTok (TikTok, 2020), chamando ainda mais a atenção do público e ganhando cada vez mais adeptos.

Foto: Reprodução TikTok
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O termo “femboy” surgiu na década de 1990 e é a junção das palavras “feminino” e “menino” em inglês. A princípio, o termo era usado de forma depreciativa para designar um homem cisgênero (alguém que se identifica com o seu gênero de nascimento) que não segue os padrões de masculinidade. No entanto, o termo passou a ser usado em plataformas digitais com o  interesse de questionar e redefinir cada vez mais o significado de masculinidade para as novas gerações. O fato de você ser um femboy não diz nada sobre sua sexualidade.

Os vídeos virais incluem diversos rapazes usando esmalte, de saia ou vestido curto enquanto dançam para seus seguidores. As redes sociais se tornaram um “ponto de encontro” e proporcionam um senso de pertencimento a um grupo, onde trocam ideias e experiências. Como visto em muitos vídeos, é fácil encontrar depoimentos de diversos rapazes que sofrem por serem ridicularizados por parentes e pessoas próximas por gostarem de roupas e adereços femininos e que hoje ajudam outros jovens que passam pelo mesmo problema compartilhando mensagens contra o preconceito.

Foto: Reprodução TikTok
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O que antes era apenas um termo, hoje se tornou uma subcultura de influência e tem lançado tendências com inspirações que vão desde Kurt Cobain e seus vestidos floridos e cardigãs coloridos, David Bowie e suas produções glamourosas a Jayden Smith e seu estilo casual e cool. Além disso, basta uma rápida pesquisa na hashtag “femboyfriday” para identificar quais itens estão “em alta” no momento entre os usuários – como as  saias plissadas e meias três quartos, por exemplo.

Foto: Reprodução
capa da the face de 1993 com kurt cobain

Já fora do TikTok, identificamos marcas investindo cada vez mais em coleções masculinas com peças e produções femininas como visto nas últimas edições das temporadas de moda pelo mundo. Designers como Simon Jacquemus, Virgil Abloh e Kim Jones estão entre os que apresentaram cartelas de cores vibrantes que fogem do visual masculino usual, além de incluírem estampas, texturas e a mistura de peças que permitem que o público masculino se aventure nesse universo mais feminino e colorido.

Jacquemus, Off White e Dior Men / Reprodução e Cortesia
Jacquemus, Off White e Dior Men / Reprodução e Cortesia

Outro exemplo é o designer Rick Owens, conhecido por suas criações neogóticas e com paleta de cores sóbria, que trouxe o rosa em sua coleção de primavera e verão 2021. O rosa, aliás, tem sido uma das cores mais usadas recentemente por celebridades masculinas nos Estados Unidos, como Jay-Z que usou um terno Frére rosa malva em seu tradicional brunch pré-Grammy, e Machine Gun Kelly que apareceu no VMA 2020 vestindo um terno rosa choque da marca Berluti com um colar de pérolas.

Rick Owens, Jay Z e Machine Gun Kelly / Reprodução
Rick Owens, Jay Z e Machine Gun Kelly / Reprodução

Percebemos que as normas opressivas de gênero estão sendo questionadas e que subculturas como a dos “femboys” ajudam a abrir diálogos contra o preconceito  e a favor da liberdade de expressão.


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